|
|

|
 |
|
|
A AIDS e consumo de Drogas
A situação do consumo de drogas passou, desde o início dos anos oitenta, por duas mudanças radicais, alterando profundamente o panorama da presença de substâncias psicoativas no mundo e no Brasil.
Por um lado, o alastramento do consumo de drogas ilícitas, em conseqüência da expansão mercadológica do narcotráfico e do fracasso, em escala internacional, dos mecanismos de repressão implantados por forças nacionais, a começar pelos Estados Unidos e pelas próprias Nações Unidas. Por outro lado, o surgimento da pandemia de AIDS e da disseminação mundial do HIV.
Considerada inicialmente como uma doença que afetava prioritariamente os homo e bissexuais, a infecção pelo HIV tomou rumos insuspeitados, de modo que, até hoje, não deixa de nos desorientar e amedrontar.
Se as formas de transmissão hoje são totalmente conhecidas, a saber, pelas vias sexual e sanguínea, estas duas formas se sobrepõem e se potencializam. É o que acontece com a transmissão vertical (da mãe para o filho) e no caso do uso de drogas injetáveis.
Através de seringas, agulhas ou outros apetrechos contaminados e compartilhados, o ato do "pico" transformou-se em trampolim para a disseminação do vírus com tal rapidez que representa, hoje, em termos epidemiológicos, a segunda conduta de risco mais freqüente, alcançando mesmo o primeiro lugar em alguns países europeus.
No Brasil, segundo dados epidemiológicos do Ministério da Saúde, o uso de drogas injetáveis representa o segundo comportamento de risco mais freqüente de exposição ao HIV.
A infecção pelo HIV não se limita neste meio somente ao compartilhamento de seringas. A grande maioria dos usuários continua a praticar uma vida sexual ativa, quase sempre insegura e imprudente pois na maioria das vezes a relação sexual ocorre durante o uso de drogas, o que afasta qualquer preocupação com exposição às DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Por conseguinte, a transmissão aos parceiros sexuais, em particular às mulheres, representa um foco de disseminação constante da AIDS.
Deste modo, atrela-se cada vez mais a transmissão sexual ao consumo de drogas injetáveis e aos problemas sociais que as cercam de um modo multicausal.
|
|