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Considerações sobre a questão das drogas
As cruzadas antidrogas encetadas no ocidente na onda da intolerância quanto a qualquer desvio das sacrossantas normas niveladoras, com sua mistura de moralismo, sensacionalismo e emocionalidade, frutos do terrível equívoco pelo qual a sociedade encara e condena os drogaditos, contribuem para disseminar pânico ao invés de enfrentamento racional - equívoco que aproxima drogas e AIDS sob o aspecto da ameaça ao equilíbrio do sistema social vigente.
As conseqüências desta cegueira são nefastas em vários níveis. No Brasil, como em outros países, as campanhas antidrogas, por serem inverídicas em suas alegações básicas, não detêm credibilidade diante da juventude e não surtem os efeitos preventivos pretendidos.
Ineficaz no conjunto por interceptar apenas 10 a 15% dos produtos ilícitos em circulação, a atuação das forças de repressão:
- dificulta: quando valoriza uma consciência crítica unilateral da sociedade para discutir a "questão das drogas";
- impede: o aprimoramento de medidas urgentes como a descriminalização;
- bloqueia: recursos que poderiam ser investidos em programas preventivos inteligentes - a serem iniciados por pesquisas qualitativas mais amplas para conhecer melhor as características da cultura da droga no país, antes de tentar implantar um "cultura preventiva" judiciosa e inconstante.
Uma discussão mais aprofundada sobre as drogas requer o reconhecimento de sua existência como uma questão humana, de percursos contextualizados, embora numa rede universal, uma questão até então de limites trágicos. Trágicos para usuários e para os que aí militam.
Fonte: Manual de Prevenção às DST/AIDS para Professores - Pela Vida (Niterói)
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